ANTT 2026: nova tabela de frete mínimo e como calcular

Caminhão em rodovia após atualização da tabela de frete mínimo da ANTT em 2026
Caminhão em rodovia após atualização da tabela de frete mínimo da ANTT em 2026 - Foto: Blog do Caminhoneiro

A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) atualizou em 2026 a tabela de frete mínimo para o transporte rodoviário de cargas em todo o Brasil. A mudança vem por meio da Resolução 6.076 e de revisões técnicas que ajustam os valores do piso mínimo aos custos reais de operação, como diesel, pneus e manutenção. Para caminhoneiros autônomos e transportadoras, entender essa nova regra é essencial para não trabalhar no prejuízo, negociar melhor cada frete e evitar perdas que se acumulam mês a mês, chegando facilmente a centenas de reais no bolso do motorista.

O que mudou na tabela de frete mínimo da ANTT em 2026

A nova tabela de frete mínimo da ANTT mantém o conceito de piso obrigatório de referência, mas altera a forma de calcular os valores. A Resolução 6.076/2026 atualiza parâmetros e coeficientes usados no cálculo, deixando a metodologia mais alinhada ao cenário atual de custos do transporte rodoviário.

Entre as principais mudanças estão:

  • Atualização dos coeficientes de custo por quilômetro rodado, alinhando a tabela aos preços atuais de diesel, pneus e manutenção.
  • Revisão das faixas de quilometragem e das modalidades de operação (carga lotação, fracionada, retorno, etc.).
  • Ajustes específicos por tipo de carga, como geral, granel, frigorificada, perigosa e outras.
  • Reforço do uso do piso mínimo como referência na negociação entre caminhoneiros, transportadoras e embarcadores.

Como funciona a nova metodologia de cálculo do frete

Cálculo por eixo e tipo de carga

A metodologia continua baseada em coeficientes de custos por quilômetro rodado, levando em conta o número de eixos do veículo e o tipo de operação de transporte. Na prática, a tabela indica um valor mínimo em reais por quilômetro, que é multiplicado pela distância percorrida e pelos eixos em operação naquela viagem.

Há coeficientes específicos para diferentes tipos de carga, como carga geral, granel sólido, granel líquido, frigorificada, perigosa e neogranel. Cada modalidade possui custos distintos e, por isso, tem um piso mínimo diferente, ajustado à realidade do tipo de transporte.

Custos considerados: combustível, pneus e manutenção

Para chegar aos novos coeficientes, a ANTT realiza estudos técnicos que levam em conta:

  • Preço do diesel e consumo médio do caminhão por quilômetro.
  • Desgaste e substituição de pneus ao longo da quilometragem rodada.
  • Manutenção preventiva e corretiva (óleo, filtros, peças).
  • Depreciação do veículo ao longo dos anos de uso.
  • Remuneração do motorista e encargos relacionados à operação.

Com a atualização de 2026, esses custos foram recalculados para refletir melhor os preços atuais do mercado e a inflação dos últimos períodos. O objetivo é evitar uma defasagem entre a tabela e a realidade, o que prejudicaria tanto o autônomo, que pode trabalhar abaixo do custo, quanto a transportadora, que perderia margem em contratos de longo prazo.

Passo a passo para calcular o frete mínimo em 2026

1. Consulte a tabela ANTT correta

O primeiro passo é acessar a tabela oficial de frete mínimo disponível no site da ANTT ou em portais confiáveis que reproduzem os coeficientes atualizados. É importante selecionar o tipo de carga e o tipo de operação de transporte corretos, pois cada combinação possui um valor mínimo específico por quilômetro.

2. Identifique o tipo de operação e quilometragem

Depois de encontrar a tabela adequada ao seu tipo de carga, identifique a faixa de quilometragem correspondente à viagem que será realizada. Operações de carga lotação, carga fracionada, retorno vazio e outros formatos podem ter coeficientes diferentes, e a escolha correta garante um cálculo mais preciso.

Em seguida, defina a quilometragem percorrida considerando o trecho de ida (e, quando aplicável, o retorno) usando dados reais de rota. Essa distância será multiplicada pelos coeficientes mínimos definidos pela ANTT, de acordo com o tipo de operação e o número de eixos do veículo.

3. Aplique o coeficiente por km e por eixo

Com o coeficiente em mãos, basta multiplicá-lo pela quilometragem total da viagem e ajustar ao número de eixos em operação. Em termos simples, o cálculo segue a lógica: frete mínimo = coeficiente (R$/km) × quilômetros rodados × número de eixos.

Exemplo: se o coeficiente mínimo para um determinado tipo de carga é de X reais por km, a viagem tem 1.000 km e o caminhão possui 6 eixos, o valor mínimo do frete será X × 1.000 × 6. Esse resultado serve como referência para negociação, evitando aceitar valores abaixo do piso sugerido pela ANTT.

Exemplo prático: como chegar a até R$500 a mais no mês

Um jeito simples de visualizar o impacto da tabela de frete mínimo é somar melhor negociação de frete com redução de multas e desperdícios. A tabela abaixo mostra um exemplo ilustrativo de como isso pode representar cerca de R$500 a mais por mês no bolso do caminhoneiro.

ItemSituação sem controleSituação usando tabela ANTT e planejamentoImpacto mensal estimado
Frete negociadoAbaixo do piso mínimoPróximo ou acima do piso recomendado+ R$ 300 na renda
Multas (peso/documentos)1–2 multas por mêsMultas evitadas com melhor organização+ R$ 200 no bolso
Resultado no mês≈ R$ 500 a mais por mês

Os valores desta tabela são apenas um exemplo ilustrativo, mostrando como a combinação de melhor negociação de frete com base na tabela ANTT e a redução de multas pode representar uma diferença de cerca de R$ 500 por mês no bolso do caminhoneiro.

O que muda para caminhoneiros autônomos e transportadoras

Para caminhoneiros autônomos, a atualização da tabela de frete mínimo em 2026 pode representar maior proteção contra fretes muito baixos, desde que o piso seja efetivamente usado na hora de negociar. A nova metodologia, ao aproximar os valores dos custos reais, ajuda o motorista a identificar quando um frete está abaixo do ideal e pode comprometer sua renda.

Já para transportadoras, a revisão dos coeficientes traz mais previsibilidade para a formação de preços de contratos de médio e longo prazo. Com os valores atualizados, fica mais fácil projetar custos logísticos e repassar parte desses custos aos embarcadores, reduzindo riscos de desequilíbrio econômico nos contratos de transporte.

Como evitar prejuízos e usar a tabela a seu favor

Como chegar a uma economia de até R$500 por mês

Somando a redução de multas comuns (como excesso de peso e problemas de documentação) com o uso correto da tabela de frete mínimo da ANTT e um melhor planejamento de rotas, muitos caminhoneiros conseguem, na prática, evitar perdas que facilmente passam de R$500 por mês entre punições e custos desnecessários.

Negociação de frete com base no piso mínimo

Uma forma prática de evitar prejuízos é usar a tabela de frete mínimo como base em todas as negociações. Antes de aceitar um frete, o caminhoneiro pode calcular o valor mínimo recomendado pela ANTT e comparar com a proposta do contratante; se estiver muito abaixo, é sinal de alerta para renegociar ou recusar.

Para transportadoras, a tabela também é uma ferramenta de argumentação comercial, mostrando ao embarcador que o valor proposto está alinhado a parâmetros oficiais. Isso aumenta a transparência na relação entre as partes e reduz conflitos sobre o preço do transporte.

Cuidados com fiscalização e documentos

Mesmo com a atualização da tabela, é importante manter toda a documentação do transporte em ordem, incluindo contrato de frete, conhecimento de transporte e comprovantes de pagamento. Em fiscalizações, demonstrar que o frete foi calculado com base em referências oficiais e que a operação está formalizada reduz riscos de problemas.

Além disso, acompanhar as próximas revisões da tabela e as notícias da ANTT ajuda a se manter sempre atualizado. Mudanças futuras podem ajustar novamente os coeficientes e impactar o valor mínimo recomendado para cada tipo de transporte, especialmente em cenários de variação forte do preço do diesel.

Para consultar a versão mais recente da tabela de frete mínimo e os textos completos das normas, vale acessar diretamente os canais oficiais. No site da ANTT, estão disponíveis as resoluções, as tabelas em formato PDF e planilhas, além de notícias explicando o contexto das mudanças.

Também é possível consultar materiais de entidades do setor, como confederações de transportadores e portais especializados em transporte rodoviário de cargas, que costumam publicar resumos e calculadoras de frete mínimo para facilitar o dia a dia do caminhoneiro e das empresas.

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