ANTT 2026: pedágios mais caros e como planejar rotas para gastar menos

Em 2026, diversos trechos de rodovias brasileiras vão enfrentar reajustes de pedágio, especialmente em concessões federais e estaduais que passam por revisões contratuais e novos leilões. Isso significa um custo direto maior na operação para caminhoneiros autônomos e transportadoras, num cenário em que diesel, pneus e manutenção já pesam bastante no bolso. Planejar melhor as rotas e entender onde o pedágio vai subir é fundamental para manter a rentabilidade das viagens.

Onde os pedágios ficam mais caros em 2026

Nos últimos meses, decisões da ANTT e de agências estaduais vêm aprovando revisões tarifárias em polos rodoviários importantes, com aumentos que entram em vigor a partir de 2026. Em geral, os reajustes consideram reequilíbrio econômico-financeiro dos contratos, investimentos feitos pelas concessionárias e indicadores como inflação e fluxo de veículos.

Um exemplo é o polo rodoviário de Pelotas, no Rio Grande do Sul, onde a tarifa básica aprovada para 2026 passa a R$ 22,20 para veículos leves, com cobrança maior para caminhões conforme o número de eixos. Em outros corredores e concessões federais, a tendência também é de alta, com índices de reajuste que podem superar 2% ao ano, dependendo do contrato e da fórmula aplicada.

Como o aumento de pedágio impacta o caminhoneiro

Para quem roda muito em rodovias concedidas, o pedágio representa uma fatia crescente do custo por quilômetro rodado. Cada reajuste que parece pequeno na tabela se transforma, na prática, em centenas ou até milhares de reais a mais por mês, principalmente em rotas fixas que passam por várias praças.

Se o frete não é negociado levando em conta esses novos valores, o caminhoneiro acaba “engolindo” o aumento no próprio bolso. Por isso, não basta saber que o pedágio subiu; é preciso colocar esse custo na conta do frete e, quando houver margem, ajustar a rota para equilibrar pedágio, quilometragem, consumo de combustível e prazo de entrega.

Passo a passo para planejar rotas e gastar menos com pedágio

1. Levante todas as praças de pedágio na sua rota

O primeiro passo é saber exatamente quantas praças de pedágio você atravessa em cada viagem e quanto custa cada uma delas. Dá para fazer isso com:

  • Aplicativos e sites de cálculo de rotas com pedágios, que mostram as praças e os valores por tipo de veículo.
  • Simulação manual, consultando tabelas de pedágio das concessionárias que atuam na região.

Uma boa prática é mapear as principais rotas que você usa no mês (por exemplo, SP–RS, SP–MG, PR–MS) e registrar o valor total de pedágio em cada uma.

2. Compare opções de rota antes de sair

Nem sempre o caminho mais curto em quilômetros é o mais barato em pedágio. Em alguns casos, uma rota um pouco mais longa, mas com menos praças, pode ter custo total menor, especialmente para caminhões com muitos eixos.truckpad+1

Na hora de escolher a rota, leve em conta:

  • Número de praças de pedágio e valor por praça para o seu tipo de caminhão.rotasbrasil+1
  • Condições da estrada (piso, aclives, trânsito pesado).
  • Segurança do trecho (histórico de roubos, pontos de parada).
  • Prazo de entrega e janelas de carregamento/descarga.

Usar apps que permitem simular vários caminhos e já estimam pedágio + combustível ajuda bastante na decisão.

3. Coloque o pedágio na conta do frete

Depois de levantar o custo de pedágio da viagem, o próximo passo é incluir esse valor na formação do preço do frete. Para quem já está seguindo a nova tabela de frete mínimo da ANTT, o ideal é somar o pedágio ao custo calculado por quilômetro, em vez de tratá-lo como algo “separado” que você paga do seu bolso.

Na negociação, deixe claro para o embarcador ou transportadora:

  • Quantas praças serão pagas.
  • Qual o custo total estimado de pedágio para aquela viagem.
  • Como isso entra no valor final do frete.

Dessa forma, você evita fretes que parecem bons no papel, mas se tornam ruins depois que o pedágio é descontado.

Exemplo prático: diferença de rota que pode economizar mais de R$ 300

Veja um exemplo ilustrativo de como a escolha de rota e a negociação podem fazer diferença no fim do mês:

ItemRota padrão (sem análise)Rota planejada com pedágio e custoImpacto mensal estimado
Praças de pedágio por viagem10 praças7 praças– 3 praças por viagem
Custo de pedágio (ida/volta)R$ 800R$ 600R$ 200 a menos por viagem
Viagens no mês4 viagens4 viagens
Resultado no mês≈ R$ 800 a menos em pedágios

Se parte dessa economia é dividida com o contratante e parte fica com você (por exemplo, R$ 500/mês mantidos no seu bolso), o impacto é similar ao que se consegue combinando melhor frete mínimo com redução de multas.

Os valores desta tabela são apenas um exemplo ilustrativo, mostrando como a combinação de escolha de rota, cálculo de pedágio e negociação de frete pode gerar alguns centenas de reais de diferença no fim do mês.

Dicas extras para reduzir custos com pedágio

Além do planejamento de rota e da negociação do frete, outras estratégias ajudam a segurar gastos com pedágio:

  • Usar sistemas de pagamento automático (tags) específicos para veículos de carga, que às vezes oferecem descontos ou facilidades na gestão dos comprovantes.
  • Evitar rodar com o caminhão subaproveitado, pagando o mesmo pedágio transportando menos carga.bibliotecajuridica+1
  • Manter uma rotina de análise mensal: quanto foi gasto em pedágio por rota e por cliente, e onde é possível renegociar.

O importante é transformar o pedágio em um número visível na sua planilha, e não em um gasto “invisível” que corrói a margem sem você perceber.

Como integrar isso com a nova tabela de frete mínimo da ANTT

Os aumentos de pedágio em 2026 e a revisão da tabela de frete mínimo andam juntos na vida do caminhoneiro: ambos mexem no custo por quilômetro rodado. Por isso, faz sentido olhar para os dois temas ao mesmo tempo.cnta+3

Se você ainda não conhece os detalhes da nova tabela de frete mínimo da ANTT e quer entender como calcular o piso por km para cada tipo de carga, vale conferir o artigo completo aqui no site: ANTT 2026: nova tabela de frete mínimo e como calcular.

A soma de um frete bem calculado com base na tabela da ANTT e um planejamento de rotas inteligente para reduzir pedágios é o caminho para proteger sua renda em 2026.

MAIS NOTÍCIAS